Histórias dos bairros de Salvador: Plataforma

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Santa Dulce, holandeses e portugueses moldaram a história desta região de Salvador

Bairro tem um dos principais remanescentes de Mata Atlântica em zona urbana no Brasil

Terminal Marítimo de Plataforma x Ribeira. Salvador, Bahia. Foto: Amanda Oliveira.

Cercado pela orla marítima da Baía de Todos os Santos, o bairro de Plataforma é um dos mais antigos do Subúrbio Ferroviário de Salvador e está situado à margem da Avenida Suburbana. O bairro tem sua história de fundação ligada ao processo de industrialização de Salvador no século XIX. Plataforma começou a se desenvolver depois da instalação da fábrica de tecidos São Brás, em 1875. O nome do bairro surgiu por conta da existência de uma balsa no formato de uma “plataforma flutuante”, que fazia a travessia marítima das pessoas entre Plataforma e Ribeira.

Os primeiros moradores do bairro eram índios tupinambás que foram catequizados por padres jesuítas. No século XIX, a região onde hoje é o bairro foi palco do primeiro sermão público em favor dos escravos negros, feito pelo Padre Antônio Vieira.

Em 1638, o bairro foi a porta de entrada da invasão holandesa na cidade de Salvador. Já em 1823, foi usado como palco da luta pela Independência da Bahia. Em 1850, a implantação da estrada de ferro Calçada-Paripe deu início à expansão urbana rumo ao subúrbio ferroviário, sendo construída em Plataforma a Estação de Trem Almeida Brandão.

O bairro, atualmente, abriga o Parque São Bartolomeu, que é um dos principais pontos da cidade com remanescentes de Mata Atlântica em zona urbana no Brasil. Além do Parque, o bairro também é reconhecido em toda cidade pelo famoso restaurante Boca de Galinha e a travessia marítima “Plataforma-Ribeira” – que funcionam como pontos de atração turística – e tem uma visão privilegiada da Baía de Todos os Santos.

Santa, holandeses e portugueses

O que hoje é a área do bairro de Plataforma era, no passado, a fazenda do marinheiro português Antônio de Oliveira Carvalhal. Segundo registros do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, a data oficial de nascimento do bairro é de 16 de abril de 1638, dia em que o príncipe holandês, Maurício de Nassau, desembarcou na praia. Os portugueses bombardearam o bairro em 1823, na tentativa de barrar a Independência da Bahia.

Em 1851, o fazendeiro Almeida Brandão construiu uma usina que, em 1860 foi transformada na Fábrica São Braz. Outra fábrica que compõe a história de Plataforma é a União Fabril dos Fiais, mais conhecida como União Fabril, de propriedade da família Martins Catharino. As duas fábricas contribuíram para o povoamento do local até o séc XX.

Outro importante momento histórico do bairro está ligado à vida de Santa Dulce dos Pobres. Com o auxílio dela, o bairro recebeu o Cine-teatro de Plataforma, um importante equipamento construído na década de 1940 através do Círculo Operário da Bahia. Além da exibição de filmes, Irmã Dulce proporcionou no espaço a realização de cursos de capacitação e assistência aos operários.

Barco e dendê

A travessia de barcos Ribeira-Plataforma é um dos mais interessantes passeios por Salvador. São menos de 10 minutos, mas que proporcionam uma vista panorâmica da cidade. Através da travessia, é possível chegar ao famoso restaurante Boca de Galinha, que atrai turistas e baianos para provar as moquecas de sabores variados como camarão com lagosta, camarão, beijupirá, dourado, vermelho, caçonete e arraia, por exemplo. Os pratos são acompanhados por arroz, pirão e uma maravilhosa vista da Baía de Todos-os-Santos.

Temos uma sugestão de roteiro que passa por lá, olha que massa.

Turismo também para quem é “local”

Boca de Galinha

No carnaval

Mantendo a tradição da fantasia e da máscara, elementos da festa de antigamente, os integrantes dos grupos de pierrots do bairro de Plataforma desfilam levando cor e alegria por onde passam durante o carnaval. A indumentária é inspirada no tradicional personagem da Commedia dell’Arte, uma variação francesa do Pedrolino italiano, e as máscaras do Carnaval de Veneza.

Existem três blocos de travestidos: o Pierrot Tradição, o Pierrot Teimoso e o Pierrot de Plataforma. Você pode encontrá-los em algumas Festas Populares, como a Lavagem do Senhor do Bonfim, o pré-carnaval dos Palhaços do Rio Vermelho, também na Barra, o Fuzuê e, principalmente, durante o carnaval no circuito do Campo Grande (saindo da Rua Chile) e no Pelourinho. Sem banda, o grupo desfila acompanhando qualquer trio.

Mas o dia mais especial é quando eles percorrem as ruas do próprio bairro. Os blocos têm homens, mulheres e crianças e, para participar, só se for indicado por algum integrante. O bloco Pierrot de Plataforma, por exemplo, foi criado em 1960 e inicialmente só desfilava no bairro. Só em 1996 passou a se apresentar no Circuito Osmar.

Parque São Bartolomeu

O Parque São Bartolomeu está localizado entre o bairro de Pirajá e a Enseada do Cabrito, no bairro de Plataforma. O espaço tem quatro cachoeiras, manguezal e a barragem do Rio do Cobre. Os 75 hectares do parque estão situados no território da Área de Proteção Ambiental Bacia do Cobre – São Bartolomeu, que chega até o município vizinho de Simões Filho. O parque é um dos principais pontos da cidade com remanescentes de Mata Atlântica em zona urbana no Brasil.

Além do valor ambiental, tem forte importância religiosa. É considerado um local sagrado para as religiões de matriz africana. Em 1823, na área do parque, aconteceu a Batalha de Pirajá, importante fato histórico que culminou na Independência do Brasil.

Carnaval 2019. Pierrot de Plataforma. Campo Grande. Salvador Bahia. Foto Peu Fernandes.

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Localização
R. Deográcias Manoel dos Santos - Plataforma, Salvador - BA, 40717-633

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Natal Salvador 2022. Praça do Campo Grande. Lucas Moura Secom.

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Farol da Barra. Salvador, Bahia. Foto: Amanda Oliveira.

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Velho Espanha, um bar metalinguístico: Localizado no Centro, falando do Centro. Fotos: Amanda Nascto /Assessoria.

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Centro de Convenções de Salvador. Bahia. Foto divulgação.

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