Bebidas peculiares de Salvador

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Três bebidas que se tornaram praticamente símbolos da cidade

Bar O Cravinho. Foto: Fábio Marconi

Em todas as estações, são lançados vários drinks ao redor do globo. Bebidas modernas, normalmente reinvenções de receitas criadas no século passado. De alguns anos para cá, as bebidas da moda são o Aperol Spritz, o Gin tônica, Moscow Mule e o Negroni. Por aqui, quem parece não sair de moda é a caipiroska, mais conhecida como roska. A cada barraca, bar ou restaurante de Salvador, tem um “mixologista” mais criativo que o outro, inventando uma roska melhor que a outra. Os visitantes ficam loucos com as roskas de seriguela, de umbu e de cajá.

Na Bahia, há um histórico de bebidas que ficaram famosas tanto por conta dos ingredientes, quanto por seus nomes irreverentes. O que é o caso do Capeta, hit dos anos 90, feito com leite condensado, guaraná e canela em pó, vodca, abacaxi e o que mais estiver à mão. Voltando um pouco mais no tempo, temos o Príncipe Maluco, uma mistura (secreta) de vodka, conhaque, whisky, cachaça, guaraná em pó, canela em pau e em pó, cravos da índia e outras iguarias e uma rodela de limão. Essa fez tanto “estrago” que foi proibida de ser comercializada em festas populares e praças.

Mas existem aquelas bebidas peculiares de Salvador que sempre estão na moda. O tempo passa e elas permanecem presentes em festas, shows e na memória de visitantes que contam os dias para voltar à cidade para novamente tomar as infusões soteropolitanas. Aqui, contamos um pouco das três bebidas que se tornaram praticamente símbolos da cidade.

O cravinho

Bar O Cravinho. Foto: Fábio Marconi

Não deve ter nenhuma festa no Pelourinho em que o Cravinho não esteja presente. Marca registrada das festas de largo, o cravo e a canela trazem um gosto e aroma bastante encorpados, um gosto e aroma bastante encorpados que mascaram a presença do álcool, o que é um perigo. São 3 lugares icônicos que produzem o cravinho. Vale até fazer um “tour do cravinho” antes de escolher o seu preferido.
Um dos mais famosos é o bar com o próprio nome da bebida, que fica no Largo Terreiro de Jesus. O bar ao estilo taberna é uma das sensações do Centro Histórico, e, além da bebida, ainda serve uma famosa moela.

Criado no início dos anos 80, O Cravinho possui quatro ambientes internos, sendo um deles uma lojinha com vários itens interessantes para os turistas. Possui uma grande quantidade de bebidas típicas de infusão como: O Cravinho (cachaça, cravo, mel e limão), Canela (cachaça, canela, mel e limão) e o Jatobá (cachaça, Casca de Jatobá, mel e limão).

Descendo a rua João de Deus, no número 18, tem uma parada obrigatória dos amantes da infusão. O Cravinho do Carlinhos, além de excelentes opções, ainda tem um ótimo menu de “petiscos de boteco”.

Cravinho Preto Velho

Mas se você quer o cravinho “raiz” tem que ir ao Cravinho Preto Velho, em frente à sede dos Filhos de Gandhy, na rua R. Maciel de Baixo, número 38. Criado nos anos 70 por Domingos Lemos, mais conhecido como Domingos Preto Velho (1922 – 2013), provavelmente foi o primeiro cravinho de Salvador.

“Este foi o primeiro (cravinho) no Pelourinho. Ele inventou nos anos 70, mas ficou muito famoso nos anos 90”, conta Adailton Moraes Araújo, sobrinho de Domingos.

Devoto de Preto Velho, Domingos morreu dia 20 de novembro, no dia da Consciência Negra. Era conhecido por ser um bom conselheiro. Sua loja era o ponto de encontro de jovens que o tinham como uma referência. “Quem passou por Domingos não foi para o caminho errado”, brinca Armando Castro Filho, Guia de Turismo que frequenta o bar desde a juventude.

Adailton e Armando contam que o Cravinho Preto Velho tinha frequentadores famosos como Gilberto Gil, João Durval Carvalho e Pierre Verger, além de Domingos ter uma ótima relação com Antônio Carlos Magalhães (tem uma foto grande na parede do bar, com a imagem de um dos encontros do dois no Pelourinho).

Lá, você não pode deixar de provar os clássicos: Jatobá; o cravinho; a Moicana, envelhecida na madeira de Umburana; 7 ervas, com uma mistura de ervas secretas em uma infusão; Gabriela Cravo e Canela e o de Gengibre com limão.

E por falar em gengibre, saiba que essa é a sensação do momento na cidade!

Batida de Gengibre Artesanal

Zanzibar Restaurante. Foto: Amanda Oliveira.

De 3 anos para cá, não há uma festa sem o tal de gengibrinho. Se o Pelourinho é sinônimo do cravinho, o Santo Antônio Além do Carmo é a “casa” da bebida de gengibre. São bares, restaurantes e festas regados a esta raiz. Como é o caso do restaurante Zanzibar, especializado em comida africana. Serve uma versão ancestral da bebida em um copinho de barro. Vale a experiência completa.

Quem está bombando é a marca Néctar, que surgiu no final de 2016, ficando logo conhecida na Festa de Iemanjá, no dia 02 de fevereiro. Ricardo de Freitas Correia, dono da marca, conta que o lugar que mais vende é o Oliveiras Bar, no Santo Antônio Além do Carmo. Por lá, também está presente nos Restaurantes Poró e no D’Venetta. No bairro do Rio Vermelho, está no Le Bowski Pub e na Commons Stúdio Bar. Na Barra, está no Boteco do Zuca, próximo ao Farol da Barra, e no Campo Grande, está no bar Quintal.

“Essa formula é de minha mãe, ela faz há anos. A forma de manipular para dar no Néctar é um segredo, uma ’bruxaria‘ dela (risos)”, explica Ricardo.

Mesmo assim, ele nos contou o que tem dentro da garrafa: “É uma mistura da raiz do gengibre in natura, cachaça de engenho de Sergipe, tempera com limão e com a calda de açúcar bruto, que fica parecendo uma calda de cana, que é o que tira a acidez. Não uso nada industrializado, todo o processo é feito à mão”.

Licores

Licor das Freiras. Convento do Desterro. Nazaré, Salvador Bahia. Foto Amanda Oliveira.

Para quem já passou as festas do mês de junho na Bahia, sabe que um bom licor tem o seu lugar. Os mais famosos são os licores de Cachoeira, no recôncavo e os de Amargosa, no interior. Mas, em Salvador, tem uma história bem interessante: os licores das Irmãs Franciscanas do Sagrado Coração de Jesus. E o melhor de tudo é que são vendidos o ano inteiro!

O Convento de Santa Clara do Desterro, no centro da cidade, é o mais antigo monastério do país, fundado no sec. XVII. Como se não bastasse a importância histórica, as Freiras transformaram o local em um dos principais pontos de produção de licor da cidade. O “laboratório” é a coisa mais linda. Lá as irmãs produzem 23 sabores do destilado com muito carinho. Deve ser por isso que é tão bom.

A lojinha do convento atende pelo nome de Confeitaria São José, e tem sabores à venda como anis, limão, maracujá, cacau, pitanga, hortelã, erva-doce, canela, goiaba, carambola, Guãco, caju e jabuticaba. Também produzem sequilhos e doces de frutas cristalizadas, como o de jenipapo. Por falar nisso, os licores de jenipapo e o de rosas estão entre os mais vendidos.

“O sucesso é trabalhar com muito carinho e alegria. É colocar o amor acima de tudo”, diz Irmã Aparecida.

Por Fernanda Slama
Coordenadora de Conteúdo



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