2ª edição do circuito Mulheres Negras em Movimento - mais de duas semanas de atividades gratuitas na capital
Publicado em 17.07.2026 às 17h 50 - atualizado em 21.07.2026 às 10h 49
“Do Corre à Plenitude”: o conceito que inspira o circuito
Arte, diálogo, formação e ações integradas de empreendedorismo, saúde, bem-estar e proteção social
Salvador volta a celebrar a força, a ancestralidade e o protagonismo das mulheres negras com a segunda edição do circuito Mulheres Negras em Movimento, promovido pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), no âmbito do programa Salvador Capital Afro.
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O circuito reúne uma programação gratuita que começou na última quinta-feira (16) e segue até 1º de agosto. Ao longo de mais de duas semanas, a iniciativa levará apresentações artísticas, rodas de conversa, oficinas, ações de empreendedorismo, saúde, bem-estar e proteção social a diferentes espaços da capital.
O ponto alto da programação será o espetáculo Ancestranças, no dia 26 de julho, na Praça Maria Felipa, no Comércio. O show terá curadoria e apresentação da cantora Larissa Luz, que receberá convidados em uma celebração da cultura, da memória e da potência das mulheres negras.
Veja a programação completa:
Neste ano, o circuito adota como conceito “Do Corre à Plenitude”. A proposta reconhece a trajetória de luta das mulheres negras, mas com atenção para o fato de que elas também merecem o direito ao descanso, lazer, cuidado, prosperidade e realização pessoal. Esse tema será o norte de toda a programação pensada pela gestão municipal para contemplar diferentes dimensões da vida desse público.
Entenda a proposta desta segunda edição
Criadora do evento enquanto secretária de Cultura e Turismo no ano passado, a vice-prefeita Ana Paula Matos destacou a consolidação do movimento, que chega à segunda edição e já se tornou tradição da capital baiana.
“Queríamos criar mais do que um evento. Queríamos construir uma política pública permanente de valorização das mulheres negras de Salvador. Nesta segunda edição, damos mais um passo com o tema ‘Do Corre à Plenitude’, porque reconhecemos a força de quem enfrenta desafios todos os dias e também defendemos o direito dessas mulheres ao bem-estar, ao autocuidado, à saúde, à independência financeira, à valorização profissional e à alegria. Plenitude também é política pública. É garantir oportunidades para que as mulheres negras possam viver com dignidade, realizar seus sonhos e ocupar todos os espaços que desejarem“, pontuou.
Segundo o diretor de Cidadania Cultural da Secult, Chicco Assis, o projeto nasceu para reconhecer o papel fundamental das mulheres negras na construção da identidade de Salvador. Para o gestor, a iniciativa vai além da valorização cultural e representa uma importante política pública voltada à equidade racial e ao desenvolvimento da cidade.
“O evento evoca o reconhecimento de que as mulheres negras movem a identidade, a cultura e a economia de Salvador. Sendo a capital mais negra fora da África, Salvador assume um papel importante de valorização e proteção da cultura afrocentrada. As mulheres negras são guardiãs de saberes ancestrais, das feiras aos terreiros, da gastronomia à música“, afirma.
Ainda conforme Chicco, ao ampliar a visibilidade e fomentar ações destinadas a essas mulheres, a Prefeitura garante uma política cultural democrática e transformadora. “Na programação, isso se traduz no equilíbrio das ações. Tem espaço para o fomento econômico e a formação, que apoiam o ‘corre’, mas também tem espaço para o respiro, para rodas de conversa, autocuidado e a estética. E tem ainda as apresentações culturais, que celebram a beleza, a arte e o lazer”, completou.
A programação reúne atividade pensadas para ampliar oportunidades
A programação foi estruturada em quatro grandes eixos: Prosperidade, Cuidado, Proteção e Celebração, reunindo ações integradas entre diversas secretarias municipais e parceiros. A proposta, conforme o diretor de Cidadania, inclui capacitações para empreendedoras, atividades voltadas à saúde física e mental, ações de enfrentamento à violência contra a mulher, experiências de autocuidado, oficinas, programação infantil, feira de afroempreendedoras, apresentações culturais e ocupação de espaços públicos da capital.
“Uma programação que une cultura, empreendedorismo, bem-estar e proteção entrega exatamente as ferramentas que as mulheres negras precisam para liderar suas próprias histórias. O empreendedorismo e a formação geram autonomia financeira e emancipação. As ações de proteção garantem a segurança para que elas possam ousar e viver sem medo. O bem-estar, a cultura e a estética fortalecem a autoestima, lembrando-as de sua potência e ancestralidade”, exemplificou o gestor.
A primeira edição do circuito, realizada em 2025, impactou cerca de 18 mil pessoas, alcançou 20 bairros, ocupou mais de 25 espaços da cidade e reuniu aproximadamente 250 afroempreendedoras.
Cooperação
A Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), que atua como parceira institucional e executora de projetos da Secult, renovaram essa cooperação que, inclusive, permitiu a execução do Circuito Mulheres Negras em Movimento.
O diretor e chefe da Representação da OEI no Brasil, Rodrigo Rossi, afirmou que a iniciativa vai além da programação cultural. Segundo ele, o projeto foi concebido para fortalecer políticas de valorização, desenvolvimento e protagonismo das mulheres negras.
“Não há como dissociar Salvador do trabalho, da força e do olhar da mulher negra. Esse circuito reúne shows, oficinas e seminários, mas, acima de tudo, carrega uma narrativa de cuidado, valorização e desenvolvimento que traduz a identidade da cidade. Quando escolhemos estar em Salvador, queríamos chegar a uma cidade que tivesse um projeto de futuro construído por meio da cultura. Queremos seguir realizando ações que promovam encontros, oportunidades e fortaleçam a identidade cultural da capital baiana”, afirmou.
O secretário municipal de Cultura e Turismo de Salvador, Alexandre Reis, afirmou que o objetivo da gestão municipal é consolidar o circuito como uma política permanente de valorização e ampliação do alcance das atividades culturais e formativas.
“O projeto deu certo no ano passado e nossa missão foi trazê-lo de volta ainda maior. Buscamos essa parceria para fortalecer a iniciativa e garantir que esse legado continue beneficiando não apenas as mulheres negras de Salvador, mas também da Bahia e de todo o Brasil”, comentou.
Matéria com bace no texto de Nilson Marinho / Secom PMS
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