Websérie Cada olhar, uma Salvador: Lu Brito e Renan Benedito
Publicado em 23.08.2026 às 17h 09 - atualizado em 23.08.2026 às 17h 10
Salvador não cabe em um único retrato. A cidade se revela, com o mar, as ladeiras, as manifestações culturais e as histórias de quem vive seus territórios, de diferentes maneiras, dependendo de quem olha.
É a partir dessa ideia que o o Visit Salvador da Bahia, canal oficial de turismo e cultura da Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), apresenta a websérie “Cada olhar, uma Salvador”, campanha que celebra a pluralidade de perspectivas sobre a capital baiana.
O segundo episódio apresenta os olhares de Lu Brito e Renan Benedito. Os dois se conectam com as águas de Salvador e com a ideia de preservação, ainda que cada um chegue a esse ponto por um caminho diferente.
View this post on Instagram
Salvador por LU BRITO
Depois de fotografar o Brasil inteiro e mais de 40 países, Lu Brito não tem dúvida: não existe lugar como a Bahia, e Itapuã ocupa um lugar especial nesse repertório afetivo. Para a fotógrafa, o bairro reúne muito do que reconhece como essência de Salvador, com a sua beleza natural, um ritmo próprio e uma relação diferente com o tempo.
Nascida em Salvador, Lu Brito é oftalmologista, artista visual e fotógrafa autodidata. Fotografa desde 2005, tem livros publicados e imagens premiadas em concursos nacionais e internacionais, além de exposições coletivas e individuais ao longo da trajetória.
Segundo a fotógrafa, no entanto, a fotografia ultrapassa a ideia de registro. “A fotografia para mim é o meu território. É minha vida no sentido de atravessamento”, afirma Lu Brito.
Olhar que nasce em Salvador
O interesse de Lu Brito pela fotografia nasceu do contato com a própria cidade. Ela cresceu cercada pelas cores, pelos grafismos, pela riqueza cultural e pela diversidade de paisagens que fazem parte da identidade da capital baiana. Foi desse cotidiano que surgiu seu interesse pela fotografia e, inicialmente, pela beleza da paisagem e do povo.
Com o tempo, porém, esse olhar foi ganhando novas camadas. Hoje, Lu continua atenta ao que acontece ao seu redor, mas busca enxergar além daquilo que é imediatamente bonito. Seu interesse está também no que a paisagem revela, provoca e desperta.
“Eu me interesso muito pela paisagem, não só pela beleza, mas pelo que a paisagem diz para mim e eu tento buscar nela o mais profundo possível, o que me reflita”, explica a fotógrafa.
Essa forma de observar também foi aprendida em Salvador. A cidade, segundo Lu, te ensinou a desacelerar, perceber os detalhes e encontrar profundidade nas coisas simples. Antes de fotografar, para ela, existe o exercício de estar presente e respirar a cidade, que se deixa ser percebida em suas diferentes formas.
“Salvador me ensinou a olhar o simples com uma profundidade e uma beleza infinitas”, resume Lu Brito.
Cuidar do que vê
A relação entre fotografia e oftalmologia também influencia a maneira como Lu Brito entende o próprio trabalho. Para ela, se o olho é responsável por captar o mundo, a câmera também funciona como uma extensão desse gesto.
No encontro entre ver e produzir imagens, Lu aproxima-se das suas duas atuações. “Eu cuido do que vê, eu cuido daquilo que é visto”, destaca.
A atenção ao olhar também se estende à maneira como fotografa as tradições e manifestações culturais de Salvador. Ao registrar uma festa popular, por exemplo, a fotógrafa entende que existe uma responsabilidade que vem antes da própria imagem.
“A festa precisa acontecer, existir por si mesma, para que a fotografia dela faça sentido. Quando esse limite é ultrapassado, desrespeitado, a foto perde o propósito”, diz Lu Brito.
Assim, fotografar, para ela, exige presença, mas também escuta e sensibilidade. A câmera não deve interromper a experiência que pretende documentar, é preciso respeitar aquilo que está diante da lente.
Uma cápsula do tempo
No fazer fotográfico de Lu Brito, existe a noção de que uma das potências da fotografia está justamente na possibilidade de guardar aquilo que está sempre mudando. Cada imagem preserva um instante que, depois de registrado, já não pode ser repetido.
“É uma cápsula do tempo. Aquele registro, aquele momento, nunca vai voltar, nunca vai ser o mesmo, por mais que eu tente”, reflete a fotógrafa.
Lu constrói seu olhar sobre Salvador a partir daquilo que a cidade lhe ensinou a perceber. Os detalhes, a delicadeza dos encontros e a profundidade presente nas coisas simples ganham espaço em suas imagens.
Cada fotografia se transforma, assim, em uma forma de preservar um pedaço de Salvador. Uma cidade que segue em movimento, muda a cada instante e encontra na fotografia uma maneira de permanecer.
Salvador por RENAN BENEDITO
“Se não fosse o mar, o que seria da minha fotografia?” A pergunta de Renan Benedito carrega o resumo de toda sua relação com Salvador. Nascido e criado na Cidade Baixa, região cercada por águas, ele não escolheu esse território, nasceu nele, e foi ali que a fotografia entrou em sua vida como um destino.
A Boa Viagem foi o cenário escolhido por Renan para o ensaio da websérie, um lugar que alimenta sua produção e concentra elementos que influenciam sua relação com a cidade.
“Esse lugar alimenta a minha fotografia. A Cidade Baixa é vida pulsante em todos os pontos visíveis”, explica o fotógrafo.
Foi nesse território que Renan encontrou acolhimento para desenvolver seu trabalho e construir seu caminho na arte. O vínculo com a comunidade aparece como parte fundamental desse percurso, marcado pelas relações com as crianças, os pescadores e os moradores.
“Salvador me deu um abraço e acreditou muito no projeto artístico da minha vida”, conta.
Fotografar é mergulhar
A experiência de fotografar se aproxima, no trabalho de Renan Benedito, da sensação de mergulhar no mar. A câmera cria um espaço de liberdade e permite que os pensamentos encontrem outro ritmo, sem pressa para voltar à superfície.
“A fotografia entrou como lugar de paz. É como se eu tivesse dando um mergulho no mar, sem preocupação de voltar”, reflete o fotógrafo.
Assim como quem mergulha não sabe exatamente o que encontrará nas profundezas, Renan encara a fotografia como uma possibilidade de descobrir aquilo que ainda não conhece dentro de si. Os questionamentos pessoais muitas vezes conduzem esse processo.
“A arte entrou na minha vida nesse lugar. É como dar um mergulho no mar sem a preocupação, a pressa, de voltar. Quando eu tenho questionamentos, eu saio para fotografar. São mergulhos internos”, revela Renan.
A infância como memória
Boa parte da fotografia de Renan Benedito nasce das crianças que fazem parte do seu cotidiano na Cidade Baixa. São vizinhos, meninos e meninas que crescem nas mesmas ruas onde ele próprio viveu a infância. Ao fotografá-los, o artista encontra também uma maneira de revisitar a própria história e reconhecer lembranças de quem ele foi.
“Eu estou me retratando, é a memória da minha infância”, reflete o fotógrafo.
A relação com as crianças vai além do registro documental. Renan procura acompanhar a espontaneidade dos momentos vividos no bairro e preservar, através da fotografia, uma fase da vida marcada pela descoberta, pela amizade, pela brincadeira e pela liberdade.
Seu olhar também revela um desejo de oferecer a essas crianças a possibilidade de se reconhecerem nas imagens e perceberem que suas histórias podem ocupar diversos espaços. Ver uma criança se reconhecer em uma imagem exposta em um museu, por exemplo, representa para Renan uma das experiências mais significativas de seu percurso.
“Uma criança se olhar e se enxergar na parede de um museu, para mim foi o ápice da fotografia”, expressa.
Dessa forma, no trabalho de Renan, fotografar a infância também significa olhar para o futuro. A câmera registra o que existe hoje e cria uma possibilidade de permanência para histórias que seguem sendo construídas.
Para descobrir Salvador, é preciso olhar
Os trabalhos de Lu Brito e Renan Benedito mostram que, para descobrir Salvador de verdade, é preciso olhar com atenção.
Olhar o mar de Itapuã e reconhecer nele um lugar de memória e retorno. Observar as festas populares da cidade e entender o respeito que elas exigem de quem as fotografa. Caminhar pela Cidade Baixa e reparar nas crianças, na vida pulsante de cada esquina.
É essa Salvador que Cada Olhar, uma Salvador convida a conhecer. Uma cidade de paisagens marcantes, mas também de histórias. De patrimônio, mas também de cotidiano. De mar, mas também de gente. Uma cidade que preserva sua memória enquanto continua produzindo novas formas de arte, cultura e criatividade.
Confira o episódio completo:
Por Giovanna Araújo
Confira Outras Postagens
Acompanhe dicas, curiosidades e histórias sobre Salvador que vão inspirar sua próxima visita.
Cadastrar
Não tem uma conta? Inscreva-se agora.