Histórias dos bairros de Salvador: Dois de Julho

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Comércio, história e boemia no Centro de Salvador

Gastronomia do bairro é tradicional e rica em diversidade de sabores

Restaurante Caxixi Centro Salvador Bahia Foto: Amanda Oliveira .

Passear pelo bairro Dois de Julho, no Centro de Salvador, é uma forma de resgatar o passado e se conectar com um toque interiorano no meio da capital. Apesar de estar localizado na área central da cidade, o bairro mantém uma atmosfera de cidade do interior, com suas ruas estreitas, um movimento muito familiar dos vizinhos conversando na rua, além de um sentido de comunidade muito forte. Alguns prédios têm uma bela vista para a Baía de Todos os Santos.

Os principais acessos são a Avenida Contorno e a Rua Carlos Gomes. Mas, além do largo homônimo, o Solar do Unhão, parte da Gamboa, o largo dos Aflitos, a praça da Piedade, um pedaço da Castro Alves e a ladeira da Preguiça estão dentro das suas fronteiras.

O bairro tem comércio forte com feiras livres diariamente, lojas do tipo armarinhos cheios de aviamentos e também artigos para o lar. Sinônimo da boemia na área central da capital baiana, o Dois de Julho pode proporcionar uma vasta experiência gastronômica regional. Você pode comer desde o malassado do Restaurante Caxixi até um clássico pãozinho delícia da Panificadora Bola Verde, por exemplo. Por lá, se concentram os mais importantes bares voltados para o público LGBTQIA+ da cidade.

O bairro é sempre muito movimentado. Lá, os moradores vivem a rua como em poucos lugares em Salvador. Algumas das mais famosas – e onde você pode encontrar de tudo – são as ruas do Cabeça, da Forca, Areal de Cima e Democratas. É lá também que se encontra o importante Mercado das Flores e o novo Mercado Dois de Julho, construído pela Prefeitura de Salvador para receber parte do comércio informal que se espalhava pelo bairro, formado principalmente de feirantes.

Museu de Artes Sacras. Salvador, Bahia. Foto: Fábio Marconi

O bairro tem orgulho de exibir a placa que mostra a última morada do poeta Castro Alves. Abriga também o Museu de Arte Sacra, construído no século XVII, que tem 146 janelas e uma vista deslumbrante, além de um vasto acervo histórico da Bahia. Outro importante residente do bairro é o Centro de Estudos Afro-Orientais, da Universidade Federal da Bahia, que foi criado em 1959.

No pré-carnaval, acontece um dos cortejos mais coloridos e irreverentes da cidade, o Banho de Mar a Fantasia. Depois de percorrerem as ruas do bairro, os foliões, com as fantasias mais lindas, curiosas e irreverentes, terminam tomando um banho de mar na praia da Gamboa. A festa resgata a tradição iniciada em 1930, que deu início a blocos como “As Muquiranas” e “As Kuviteiras”. A festa é organizada pelos moradores da Ladeira da Preguiça, no “Centro Cultural Que Ladeira é essa?”, nome inspirado no samba de Gilberto Gil, “Ladeira da Preguiça”.

Comércio, história e boemia no Centro de Salvador: conheça mais sobre o bairro Dois de Julho

2 de Julho – A independência do Brasil na Bahia

O bairro foi passagem do Exército Brasileiro, em 2 de Julho de 1823, dia da Independência do Brasil na Bahia. Um belo chafariz em homenagem a esta data foi colocado na praça da Piedade em 8 de dezembro de 1856. Este monumento tem a Cabocla como tema, símbolo da luta popular que houve no estado. Mais tarde, a obra serviu de inspiração para o Monumento do Campo Grande, inaugurado em 1895.

Esse chafariz foi retirado da Piedade no início do século 20, após a construção da Avenida Sete de Setembro, e instalado no Largo Dois de Julho (que recebeu este nome exatamente por causa deste chafariz), a poucos metros do local do antigo chafariz que lá existia. Nos anos 1960, foi relocado para a antiga Praça dos Reis Católicos. Em 1982, foi instalado no Largo dos Aflitos, onde se encontra.

O 2 de julho – Independência do Brasil na Bahia

Muitas memórias

O bairro Dois de Julho tem um rico acervo histórico e cultural da Bahia. Até parte do século XIX, o Largo Dois de Julho era o caminho do Hospício de Jerusalém, fundado em 1724, na Freguesia de São Pedro Velho, e que atualmente abriga o Convento Sagrado Coração de Maria.

Vizinho ao Convento, o Colégio Ypiranga funciona no Solar do Sodré (Av. Sodré, 43), imóvel do século XVII que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1938. O local serviu de residência para o poeta Castro Alves em seus últimos anos de vida, e já abrigou outras instituições de ensino ao longo de sua história. O antigo quarto do poeta hoje foi transformado na biblioteca do colégio.

Bem próximo está o Museu de Arte Sacra, construído no século XVII, que tem um vasto acervo histórico da Bahia e é um dos mais destacados conjuntos arquitetônicos seiscentista brasileiros: o antigo Convento de Santa Teresa. Além da igreja, sacristia, coro, capela interior, refeitório, sala de capítulo e biblioteca, o conjunto dispõe de 16 salões, 12 salas, 10 celas, longos corredores e galerias e duas escadarias de pedra com painéis de azulejos do século XVII nas paredes.

Museu de Arte Sacra

O Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO) fica em um antigo casarão no Largo Dois de Julho. Foi fundado em 1959 e é parte da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA. Antes, o mesmo prédio abrigou a Delegacia Federal de Educação.

O bairro abriga também o tradicional Clube Fantoches da Euterpe (Rua Democrata nº 10). Foi fundado em 1884 e era um dos mais tradicionais clubes carnavalescos da Cidade, até os anos 1970.

Tradição na comida

Restaurante Caxixi Centro Salvador Bahia Foto: Amanda Oliveira .

Você pode passar uma semana indo ao bairro Dois de Julho para tomar café da manhã, almoçar e jantar em locais diferentes e ainda assim não conseguirá provar todas as delícias do bairro, que reúne tradicionais restaurantes de comida regional. Há dezenas de bares que servem diariamente pratos típicos como feijoada, maniçoba e quiabada.

Na famosa Rua do Cabeça, uma das principais do bairro, está o Bar e Restaurante Caxixi, que tem como destaque em seu cardápio o malassado – um grande bife de carne bovina envolto em um molho com tomates frescos picados, cebola, alho, sal e coentro. É divino! Pertinho dali, fica o Porto Moreira, citado por Jorge Amado em várias passagens de seus livros. Fundado em 1938, o restaurante tem a moqueca de carne mais famosa da Bahia.

Outra preciosidade gastronômica do bairro é o sanduíche de pernil com queijo servido na Churrascaria Líder. Não deixe de provar também o escondidinho de carne seca do Mocambinho Bar e também o famoso pão delícia da padaria Bola Verde.

Diversidade

Spadina Banks. Drag Salvador Bahia. Foto Gabriel Alencar

Morada de grandes figurinistas do Teatro Castro Alves, artistas e performers, o bairro tem uma rica diversidade cultural e artística e é conhecido pelos bares voltados para a comunidade LGBTQIA+.

O tradicional ncora do Marujo é o bar mais antigo em atividade na Bahia e há mais de 20 anos abre espaço para shows de arte transformista de segunda a segunda. O bairro também é sede de importantes coletivos artísticos e culturais, a exemplo da Casa Preta, um espaço cultural que promove encontros e espetáculos alternativos.

Aimée Lumière. Drag Salvador Bahia. Foto Divulgação

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Localização
N°, Largo Dois de Julho, 32 - Dois de Julho, Salvador - BA, 40060-000

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