A irresistível mania de fotografar portas e janelas por Salvador

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Mania de fotografar fachadas na internet serve de inspiração para conhecer lugares novos

Tem gente que não pode ver uma portinha ou janela colorida sem que pare para fotografar. Para alguns, isso é uma irresistível mania de clicar (e postar nas redes sociais) enquanto caminha pela cidade. E Salvador tem uma profusão de casarios antigos, cheios de cores e detalhes.

Estética, arquitetura, simbolismo, elementos como esquadrias, gradis e pronto: o feed fica lindo! Mas quando a porta ou a janela se abrem, quais as histórias escondidas atrás de cada fachada? Aqui contamos um pouco sobre o que você vai achar no entorno e no interior de cada lugar fotografado. Mas, antes, tente adivinhar onde fica cada uma delas.

Uma das fachadas mais fotografadas do Pelourinho

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco. Foto: Fábio Marconi

Começamos com uma das mais clássicas paradas fotográficas do Pelourinho, esta pela qual moradores e visitantes têm verdadeira paixão. A fachada em pedra da igreja da Ordem Terceira de São Francisco é das obras mais importantes do barroco brasileiro pela sua singularidade.

Mas você sabia que nem sempre foi assim? Por mais de um século, a fachada esteve encoberta por argamassa. Construída nos primeiros anos do século XVIII por mestre Gabriel Ribeiro, foi financiada pelos irmãos terceiros, conhecidos como ricos senhores detentores do comércio do Recôncavo Baiano. Ela seguia linda assim, do jeitinho que a gente conhece hoje. Até que, durante a reforma no início do século XIX, seu interior tornou-se neoclássico e a fachada encoberta. O “salvador da pátria das nossas fotos maravilhosas” foi um eletricista que fazia a instalação de luzes no local e descobriu, ao martelar a estrutura frontal do templo, a decoração original. Saiba mais neste link.

Fica até difícil não parar por um tempinho para olhar cada detalhe dela. Existem estudos que apontam para a possível união entre símbolos cristãos e pagãos: duas esculturas de atlantes cercados por anjos que significariam alegorias do deus do comércio, Hermes, ou ainda dos rios Paraguaçu e São Francisco. Saiba mais neste link.

A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco é uma igreja católica e fica no Largo do Cruzeiro, no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador. Saiba mais neste link

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco

As casinhas mais charmosas da cidade

Casa Boqueirao Santo Antonio Salvador Bahia Foto: Amanda Oliveira.

Casinhas coloniais coloridas, uma coladinha à outra, muitas delas com Bougainvillea floridos em tons de cor maravilha e rosa choque, subindo pelas paredes. Esse é o cenário das ruas do bairro do Santo Antônio Além do Carmo, no Centro Histórico de Salvador. Lá, o que não vai faltar são janelas para fotografar.

Este é o caso da Casa Boqueirão, uma loja colaborativa que une Arte, Design, Moda, Acessórios e um café. Lá, você encontra gravuras, camisas, mochilas, esculturas, pinturas, acessórios artesanais como óculos e bijuterias, além de peças de decoração escolhidos cuidadosamente. Tudo ali tem um porquê e uma história. A loja é aconchegante e, além de fazer boas compras, você pode tomar um café e comer um bolo, uma torta ou salgados.

Saiba mais neste link.

Casa Boqueirão

E olha que legal. Ali também fica a Casa-Museu, um solar composto por dois casarões, tombado pelo Ministério da Cultura em 2008. O proprietário é o marchand, fotógrafo e colecionador de arte Dimitri Ganzelevitch. Ele é francês de origem russa, nascido em Marrocos, e reside em Salvador desde 1975, morando justamente no Santo Antônio Além do Carmo. Saiba mais sobre a Casa-Museu neste link.

O primeiro casarão, restaurado a partir de 1985, apresenta caraterísticas dos meares do século XIX. Janelas, portas, bandeiras e soalhos originais foram mantidos. Em 2004, a ruína vizinha foi reconstruída num espírito totalmente contemporâneo, mantendo a fachada dos anos 40. Neste, é onde fica a Casa Boqueirão.

Espalhada pela Casa-Museu, uma coleção de objetos de arte está parcialmente exposta. Desde peças romanas, islâmicas, europeias e americanas, como também pinturas do século XIX, até peças mais atuais, também de várias origens. No outro prédio, funciona a loja.

No jardim, fica o teatro de arena Elena Rodrigues – grande incentivadora dos saraus do solar – para 80 espectadores. Antes da restauração, havia somente duas lajes de concreto. No verão de 2020, a Casa Boqueirão, administrada pelo artista visual Alfredo Gama e a arquiteta Tânia Póvoa, recebeu eventos superinteressantes neste espaço. Quem foi pôde usufruir de uma excelente programação cultural e um pôr do sol de frente para a Baía de Todos-os-Santos. Maravilhoso!

Durante a pandemia do novo coronavirus, a Casa Boqueirão está funcionando de duas formas: visita virtual, onde uma pessoa te mostra os produtos pelo celular, em tempo real, e te auxilia na compra. Você pode ligar para o whatsapp 71-999832484 e saber mais informações. A outra forma é com hora marcada, para apenas 4 pessoas por vez, seguindo os protocolos de segurança. Saiba todo o funcionamento neste link.

Casa Amarela

Lindas fachadas. Santo Antônio Além do Carmo. Salvador Bahia. Foto Amanda Oliveira .

O Centro Histórico de Salvador, aliado a uma topografia singular, tem uma paisagem formada basicamente por edifícios dos séculos XVI ao XIX, na qual se destacam os conjuntos monumentais da arquitetura religiosa, civil e militar.

Quando for se aprumar para fazer aquela foto, tente saber também de toda a história por trás das edificações, assim o passeio fica completo. Por exemplo: pela riqueza de suas construções, o Centro Histórico foi inscrito no Livro de Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico em 1984. Em 5 de dezembro do ano seguinte, sua inscrição na Lista do Patrimônio Mundial foi ratificada pela Unesco. Massa, né?! O Santo Antônio Além do Carmo está repleto dessas construções, o que é o caso dessa casinha linda da foto. Saiba mais neste link.

Sobre o centro

Hoje em dia, o bairro vem cada vez mais sendo frequentado também por pessoas famosas e que, com os anos, vêm comprando imóveis por lá. O que foi o caso de Regina Casé, cuja casa tem umas das fachadas mais fotografadas do local. A reforma teve projeto do arquiteto baiano David Bastos, que uniu duas casas dos séculos 18 e 19, sem descaracterizar as fachadas, tombadas pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). São, ao todo, cinco andares, dois acima do térreo e dois abaixo, num total de 652,10 m² de área.

Algumas edificações guardam verdadeiras preciosidades em seus interiores. Veja algumas na matéria “Você vai se surpreender com esses 3 casarões centenários do Santo Antônio”.

Saiba mais sobre o bairro

O Santo Antônio Além do Carmo é um dos bairros mais antigos de Salvador. Seu primeiro registro remonta ao século XVII. Limitado pelos bairros do Barbalho e Carmo, ele inicia na Cruz do Pascoal e vai até o largo de Santo Antônio Além do Carmo, oficialmente chamado de Largo do Barão do Triunfo. O termo “Além do Carmo” refere-se às portas da cidade do Salvador que, no primeiro século de habitação, tinha uma entrada no Convento do Carmo.

A escola de medicina mais antiga do Brasil

Sede histórica da Faculdade de Medicina da UFBA. Pelourinho. Salvador Bahia. Foto: Fábio Marconi

Essa grande construção cor de salmão (ou laranja claro, se você preferir assim), no Largo Terreiro de Jesus, no Pelourinho, é a sede histórica da Faculdade de Medicina da UFBA (Universidade Federal da Bahia). Esta é a escola de medicina mais antiga do Brasil, criada em 18 de fevereiro de 1808, por influência do médico pernambucano Correia Picanço, logo após a chegada de Dom João VI ao país, sob o nome de Escola de Cirurgia da Bahia.

Por essa faculdade, passaram diversos nomes da ciência brasileira (como Nina Rodrigues, Juliano Moreira, Pirajá da Silva, João Targino) e foi de suma importância em diversos momentos históricos do Brasil, possuindo, até hoje, destaque no cenário científico e cultural baiano e brasileiro. Toda a história do curso está catalogada no acervo do Memorial da Medicina Brasileira, o mais importante documentário do ensino médico do Brasil.

Admirou lá de fora? Tirou sua foto? Pois agora, entre. O Museu Afro Brasileiro da UFBA (MAFRO) fica lá dentro, assim como o Museu de Arqueologia e Etnologia da UFBA (MAE). O MAFRO tem como objetivo fazer um trabalho de preservação, valorização e divulgação das culturas africanas e afro-brasileira. Já a vocação do MAE está relacionada com a perspectiva de investigação e disposição das culturas indígenas brasileiras.

Criado em 1974, o MAFRO foi inaugurado em 07 de janeiro de 1982, e é um espaço de identidade e memória. Lá, você tem acesso aos acervos referentes às culturas africanas e afro-brasileiras, com o objetivo de estreitar relações com a África e compreender a importância deste continente na formação da cultura brasileira.

Seu projeto original, de 1974, concebido pelo antropólogo e fotógrafo Pierre Verger, foi desenvolvido no início da década de 80 pela arquiteta Jacyra Oswald e pela etnolinguista Yeda Pessoa de Castro, dentre outros professores e pesquisadores da Universidade Federal da Bahia e consultores externos. Entre os anos de 1997 e 1999, sob a coordenação do Museólogo Marcelo Cunha, com a participação de uma equipe de consultores, o MAFRO passou por um processo de renovação da sua exposição, que vem sendo redimensionada periodicamente, com modificações nos últimos anos. Saiba mais sobre visitação neste link.

Saiba mais neste link.

MAFRO – Museu Afro-Brasileiro

O Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) é mais “jovem”, foi criado em 27 de setembro de 1983 pelo professor Valentin Calderón, um dos primeiros coletores sistemáticos de material arqueológico. O Museu foi aberto logo após a morte do professor. Possui um acervo bastante rico e coleção de etnologia. Saiba mais sobre visitação neste link https://www.agendartecultura.com.br/museu-de-arqueologia-e-etnologia/

A casa de Ladrilhos azuis

Lindas fachadas. Santo Antônio Além do Carmo. Salvador Bahia. Foto Amanda Oliveira .

Reduto de artistas plásticos, escritores e músicos, o Santo Antônio Além do Carmo é um dos bairros mais queridos da capital baiana. Tem ares de uma cidade do interior, com uma paróquia, um coreto, uma praça e aquele bate papo na janela entre vizinhos.

Os moradores preservam a cultura popular, mas a atmosfera cosmopolita está presente em bons restaurantes, galerias, ateliês, cafés, pousadas, hotéis Boutiques e bares cheios de originalidade. Boa música também está presente em toda parte, como apresentações de Jazz, Ska e rodas de samba. Inclusive, uma das mais conhecidas acontece no pátio da Igreja do Santo Antônio, e quem te serve a cachaça é o próprio padre. Só se vê na Bahia!

Durante o seu passeio fotográfico, escolha também uma das várias casas com ladrilhos hidráulicos, algumas modernas como essa da foto e outras de outrora. Os diversificados padrões decorativos são encontrados em várias edificações históricas de Salvador. Na construção da cidade, foram amplamente utilizados entre os séculos XIX e parte do século XX, executados de forma artesanal, mas com técnica que exigia a aplicação de métodos inovadores para a época.

Se a curiosidade bater e quiser se aprofundar no assunto, no Pelourinho tem um lugar perfeito para saber sobre azulejaria e cerâmica de origem portuguesa, inglesa, francesa, holandesa, mexicana e belga. Mais informações neste link.

Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica

Centro Cultural Solar do Ferrão

Centro Cultural Solar Ferrão. Pelourinho. Salvador Bahia. Foto Fábio Marconi.

Situado na esquina entre a rua Gregório de Matos e a Ladeira do Ferrão, no Pelourinho, as portas verdes, decoradas com volutas e relevos logo vão te fazer parar para uma pose na frente dela.

Este é o Centro Cultural Solar Ferrão, um casarão nobre construído entre os séculos XVII e XVIII, localizado numa zona de grande declive, tendo por isso três pavimentos na frente e seis no fundo, além de um porão. As duas portas na fachada principal, onde você fez a sua foto, datam de 1690 e 1701.

Lá dentro, funciona um espaço dinâmico de arte, cultura e memória, instalado em um dos mais importantes monumentos da poligonal do Centro Histórico de Salvador. Considerada a “casa nobre” do Pelourinho, foi residência da família Maciel até 1756, quando passou a abrigar o Seminário dos Jesuítas. Entre 1793 e 1814, pertenceu a Pedro Ferrão, de quem herdou a atual denominação.

Abriga a Galeria Solar Ferrão, o Museu Abelardo Rodrigues e quatro coleções: a de Arte Africana, a de Arte Popular, a Coleção Walter Smetak e a Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais Emília Biancardi. Vale demais a visita. Saiba mais neste link.

Centro Cultural Solar Ferrão

Serviço:
Solar Ferrão – Rua Gregório de Mattos, 45 – Pelourinho, Salvador-BA.
Horário de funcionamento: de terça a sexta, das 12h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 12h às 17h. Durante a pandemia, consulte antes os horários e os protocolos de segurança.
Telefone: (71) 3116-6743.

Por Fernanda Slama
Coordenadora de conteúdo do portal



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