Terreiro do Gantois. Salvador. Bahia. Foto acervo do terreiro.
Terreiro do Gantois. Salvador. Bahia. Foto acervo do terreiro.

Turismo religioso de matriz africana - 5 lugares que você precisa conhecer

Publicado em 28.02.2026 às 20h 29 - atualizado em 28.02.2026 às 20h 37

Afroturismo
Religiosidade

Experiências de fé e tradições de matriz africana

Salvador da Bahia revela uma de suas facetas mais profundas e enriquecedoras através do turismo religioso de matriz africana. Mais do que simples visitas, embarcar neste roteiro é mergulhar em uma jornada de fé, história e ancestralidade, onde cada terreiro, memorial ou parque sagrado conta a trajetória, preserva e celebra essas raízes. Prepare-se para se conectar com a essência de uma religiosidade que moldou a identidade do Brasil.

Memorial Mãe Menininha do Gantois

O Memorial Mãe Menininha do Gantois, criado em 1992 e integrado ao terreiro, reúne mais de 500 peças que retratam a vida e o legado de Mãe Menininha do Gantois, importante líder do candomblé na Bahia. Organizado em três núcleos expositivos, o espaço preserva seu patrimônio material e imaterial e oferece ao visitante um contato direto com a história do candomblé e da cultura afro-baiana em Salvador.

Visitar o o Ilé Ìyá Omi Àṣẹ Ìyámase, mais conhecido como Terreiro do Gantois, é uma oportunidade para conhecer as trajetórias das matriarcas do terreiro, com destaque para Mãe Menininha. O Memorial Mãe Menininha do Gantois abre suas portas para momentos de memória, ancestralidade e conexão com a história viva do Candomblé. Este foi o primeiro espaço museal de cultura afrodescendente da América Latina.

Serviço:

Memorial Mãe Menininha do Gantois
Instagram: @memorialgantois / @terreirodogantois
Site oficial: www.terreirodogantois.com.br
Horário de funcionamento: Terça a sexta-feira: das 14h às 17h. Sábado: 09h às 12h
Entrada gratuita
Mediadora no local

Casa de Oxumarê – Ilê Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó

A Casa de Oxumarê é um dos mais antigos terreiros da Bahia. Sua origem remonta à chegada de Manoel Joaquim Ricardo, o Bàbá Tàlábí, entre o final do século XVIII e o início do século XIX, que veio escravizado da cidade de Kpeyin Vedji (Benim) em 1795 e plantou as sementes de um dos mais respeitados centros de culto afro-brasileiro. A Casa de Oxumarê, fundada em 1836, é uma das principais referências do Movimento Negro e da luta pelos direitos humanos no Brasil.
Desde 1991, é liderada por Babá Pecê, que dá continuidade a essa missão.

Reconhecida como Território Cultural Afro-Brasileiro pela Fundação Cultural Palmares, Patrimônio Material e Imaterial da Bahia pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia e tombada como Patrimônio Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a Casa é um importante patrimônio cultural e histórico da Bahia e do Brasil.

A Casa de Oxumarê é aberta à visitação de segunda a sábado, em dois turnos: primeiro turno, das 10h às 11h; segundo turno, das 16h às 17h. Esses são horários fixos, mas, a qualquer hora, você pode ir e tentar conhecer a casa. A entrada é gratuita e não é necessário agendar. Os visitantes são acompanhados aos espaços comuns e sagrados, e uma pessoa do Ilê enriquece a experiência com informações detalhadas.

Serviço

Casa de Oxumarê – Ilê Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó
Endereço: Av. Vasco da Gama, 343 – Federação
Instagram: @casadeoxumare
Telefones: (71) 3237-2859 / (71) 3331-0922 / (71) 99156-2707
E-mail para informações gerais: secretaria@casadeoxumare.com.br
E-mail para marcar visitas orientadas: religioso@casadeoxumare.com.br
Saiba mais neste link.

Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho

Um dos mais antigos e respeitados terreiros do Brasil, o Terreiro da Casa Branca, em iorubá, Ilê Axé lyá Nassô 0ká é responsável pela origem de muitos outros terreiros, como, por exemplo, o Terreiro do Gantois e o lê Axé Opô Afonjá. Fundado por três mulheres africanas da nação nagô, o Terreiro da Casa Branca nasceu em um terreno atrás da Igreja da Barroquinha, por volta de 1830. Hoje é mantido pela Associação São Jorge do Engenho Velho.

O nome llê Axé iyá Nassô Oká foi dado em homenagem a uma dessas mulheres, a iorubá iyá Nassó (Mãe Nassô), considerada a principal fundadora. A mudança para o Engenho Velho, onde a sede se encontra hoje, aconteceu quando as manifestações religiosas que divergiam da católica começaram a ser perseguidas. A Casa Branca passou por inúmeros ataques, que não só queriam fechar o templo religioso, mas também destruí-lo.

Em 1984, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) decidiu pelo tombamento, que foi homologado em 1986, tornando a Casa Branca o primeiro templo não católico a ser tombado como Patrimônio Histórico do Brasil. No entanto, dois anos antes, em 1982, o terreiro foi reconhecido como Patrimônio Cultural da Cidade pela Prefeitura Municipal de Salvador, que também transformou o espaço em Área de Preservação Cultural e Paisagística Municipal

Serviço:

Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho
Instagram: @terreirocasabranca
Av. Vasco da Gama, nº463 -Engenho Velho da Federação, Salvador – BA, 40221-025As festas e celebrações religiosas abertas ao público, assim como os eventos culturais, são divulgados nas redes sociais do terreiro.

Terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe

Localizado na Rua do Curuzu, no bairro da Liberdade, o Terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe A, conhecido como Vodun Zo, é um importante símbolo da cultura afro-brasileira. Fundado oficialmente em 1971 por doté Amilton Costa, em área de tradição religiosa desde 1890, foi o primeiro templo religioso tombado pela Prefeitura de Salvador.

Além das celebrações religiosas e da assistência espiritual, o Vodun Zo desenvolve ações culturais e educativas, como atividades do Grupo Capoeira Baiana – Mestre Careca, oficinas sobre patrimônio cultural, teatro, dança, percussão, rodas de conversa sobre os Ibejis, contação de histórias e encontros com o Babalorixá, fortalecendo os vínculos entre cultura, identidade e comunidade.

Serviço:

Terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe
Endereço:
Vila Braulino-222, Curuzu, Liberdade, Salvador, Bahia, Brazil 40365712
Instagram: @vodunzoxwe

Parque Pedra de Xangô

O Parque Pedra de Xangô é símbolo de ancestralidade, e é o primeiro parque do Brasil com nome de orixá, divindade do candomblé e da umbanda. Símbolo sagrado e elemento cultural afro-brasileiro, a Pedra de Xangô foi tombada em maio de 2017 como patrimônio cultural do município.

Cercado por remanescentes da Mata Atlântica, o espaço reforça seu caráter religioso e ambiental. O parque conta com lago artificial, memorial de cerca de 500 m², auditório, área de exposições, sala multiuso, cantina e espaços para administração e comercialização de artesanato e alimentos. A estrutura inclui ainda anfiteatro ao ar livre, áreas de convivência e acessibilidade, integrando preservação ambiental, cultura e práticas religiosas.

Saiba mais neste link.

Serviço:

Parque Pedra de Xangô
Instagram: @pedra.de.xango (página independente)
Poligonal da Área de Proteção Ambiental (APA) Vale da Avenida Assis Valente, em Cajazeiras X.
Aberto 24h.
Memorial: funciona de terça a sexta-feira, das 8h às 16h.