Ilê Aiyê na Liberdade. Foto: Assessoria
Ilê Aiyê na Liberdade. Foto: Assessoria

Rolê Afro: “Liberdade-Curuzu Tour – Circuito Sérgio Roberto”

Publicado em 06.02.2026 às 18h 40 - atualizado em 02.03.2026 às 00h 31

História e cultura
Turismo Religioso

Mosaico Cultural Vivo, o bairro da Liberdade, em Salvador, é um território que marca a história da cidade seja pelos caminhos que ligavam a metrópole ao sertão, seja, nas últimas décadas pela representatividade da herança cultural africana que movimenta a comunidade. O roteiro valoriza esse legado homenageando o ativista e fundador do bloco llê Ayê, Sérgio Roberto, apresentando aos visitantes elementos marcantes da memória preta do bairro.

O passeio tem início na Praça Nelson Mandela e segue pela Feira do Japão e para na antiga sede do Movimento Negro Unificado. O percurso continua pela Ladeira do Curuzu, com parada na Casa Maria Felipa e no Terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe. Ao longo do trajeto, o grupo também conhece o salão de beleza de Geruza Menezes, visita o Ilê Jitolú e o Ilê Aiyê, encerrando a experiência no acolhedor Wajéum de Mainha.

O bairro da Liberdade é um dos principais símbolos da presença negra na história de Salvador. Este roteiro faz parte do Rolê Afro: uma série de 11 rotas de passeios com experiências afrocentradas em Salvador.

Praça Nelson Mandela

Celeiro de diversidade cultural e de múltiplas expressões identitárias, o bairro da Liberdade é um dos maiores símbolos da presença negra na história de Salvador. Para compreender essa trajetória, o grupo se reúne na Praça Nelson Mandela, ponto de partida de uma imersão sobre a formação e a importância histórica da região.

O nome do bairro remete à vitória dos combatentes baianos na Guerra da Independência do Brasil na Bahia, em 1823. A antiga “estrada das boiadas”, por onde transitavam caravanas de vaqueiros que abasteciam a cidade, teria sido palco da passagem das tropas vitoriosas no 2 de Julho. A partir desse marco, o local passou a ser conhecido como Estrada da Liberdade.

Situada à margem da área urbana da época, a região era predominantemente rural e favorável à formação de quilombos, o que ajuda a explicar o significativo contingente de africanos livres e libertos que compunha sua população no fim do século XIX e início do século XX. Essa introdução histórica será contextualizada pelo guia, que apresentará a formação do bairro, a presença das famílias negras aquilombadas nas comunidades locais e seu papel fundamental na criação e fortalecimento das organizações negras que moldaram a identidade da Liberdade.

Feira do Japão

No percurso, o grupo passará pela Feira do Japão, com referências à história da ocupação do bairro, que já teve diversos cinemas, e as diferentes manifestações da cultura afro-brasileira, como os salões de beleza focados nas mulheres negras e que ditaram tendências em toda a cidade, como turbantes e tranças. Um dos pontos visitados é a antiga sede do Movimento Negro Unificado (MNU), ponto em que será abordado o ativismo negro da cidade.

Associação Cultural Ilê Aiyê

Em seguida, acessamos a Ladeira do Curuzu, rua tradicional do bairro onde fica a sede da Associação Cultural Ilê Aiyê e diversas casas religiosas de matriz africana. Na ladeira, fica a homenagem a Apolonio Souza, conhecido como “Herói Negro da Liberdade”, que tem um busto pelo seu empenho em defesa da comunidade. Ele era guia de excursões e também foi um dos fundadores do llê Ayê, assim como Sergio Roberto, criador da Noite da Beleza Negra, e também homenageado em uma visita a sua antiga casa.

Casa Maria Felipa

Conheceremos também a Casa Maria Felipa, um espaço fundado em 2004 e dedicado à memória de Maria Felipa, heroína da independência baiana uma independência marcada pela participação popular, feminina e negra. Além de almoços típicos, o espaço possui galeria de arte e exposições.

Terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe

Com dezesseis terreiros de candomblé somente na Rua do Curuzu, a Liberdade é considerada pelo Ministério da Cultura território nacional da cultura afro-brasileira. O roteiro abordará essa ancestralidade presente no território começando pelo Terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe, mais conhecido como terreiro Vodun Zo. Este é um dos únicos terreiros brasileiros de culto aos voduns, divindades do antigo reino do Daomé. Primeiro templo religioso tombado pela Prefeitura de Salvador, também é o único local com resquícios da mata nativa da Liberdade. Além disso, visitaremos o Terreiro Ile Jitolu, casa da nação Jeje Savalú que foi fundada em 1961 por Mãe Hilda, figura histórica do Curuzu no combate ao racismo e que teve papel fundamental na fundação do llê Aiyê, primeiro bloco afro do Brasil.

Salão de Geruza Menezes

Na rua do Curuzu encontra-se também o salão de Beleza Cia das Tranças, espaço que promove contação de histórias afro diaspórica da estética através das tranças e turbantes confeccionados pela artesã capilar Gerusa Menezzes, nascida e criada no Curuzu, que encontrou na profissão a forma de colaborar com a autoestima de mulheres, crianças e homens a mais de 20 anos.

Wajeum de Mainha

Wajeum de Mainha é um empreendimento gastronômico e cultural, um território afetivo de ancestralidade com histórias, memórias e tradições da cozinha afro-baiana. Uma senzala ressignificada, de experimentações, vivências criadas desde 2007. A culinária ofertada (opcional – sob agendamento) foi passada de geração a geração, saberes ancestrais refletidos na feijoada, cozido, Quiabada, Comida Baiana, Moquecas, cocadas, bolinhos de estudantes, bolos, cuscuz.

Informações gerais do roteiro:

Duração Estimada: 3h
Disponibilidade: Todos os dias
Horários recomendados: A partir das 10h
Tipo de Experiência: Visita guiada, Caminhada Nível de dificuldade: Leve, não acessível para cadeirantes O que usar: Roupas leves, sapatos confortáveis, chapéu
Ponto de Encontro: Praça Nelson Mandela
Pontos de visitação: Praça Nelson Mandela, Feira do Japão, Movimento Negro Unificado (antiga sede), Ladeira do Curuzu, Casa Maria Felipa, Terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe, Salão de Geruza Menezes, llê Jitolú, llê Aiyê, Wajeum de Mainha
Incluso: Guia
Operador: Odu Imersão Cultural @oduimersaocultural

Saiba mais sobre o projeto

O projeto Rolê Afro integra o Plano de Desenvolvimento do Afroturismo realizado pela Prefeitura de Salvador através da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult) e da Secretaria da Reparação (Semur). O projeto tem apoio do consórcio formado pela Àwá Ações Afirmativas, Target Euro e Artès, no âmbito do Prodetur Salvador.

No mesmo ano (2024), também foi lançado o Comitê de Afroturismo, pioneiro no Brasil, formado por diretores de agências, empreendedores e outros profissionais ligados ao segmento, com o objetivo de ajudar a gestão municipal na elaboração de políticas públicas para a promoção e divulgação do turismo afrocentrado.

Todo o material digital do Guia de Afroturismo está disponível no link linktr.ee/roleafro.