Bloco Afro Muzenza do Reggae. Casal destaque - Foto Caique Evangelista.
Bloco Afro Muzenza do Reggae. Casal destaque - Foto Caique Evangelista.

Muzenza do Reggae: tradição, resistência e ritmo no coração da Liberdade

Publicado em 11.02.2026 às 11h 41 - atualizado em 11.02.2026 às 12h 08

Carnaval
Música

Do reggae jamaicano ao samba-reggae baiano: batida inconfundível e um legado consagrado no Carnaval de Salvador

Fundado em 5 de maio de 1981, no bairro da Liberdade, em Salvador, o Bloco Afro Muzenza do Reggae nasceu como um tributo a Bob Marley e ao reggae jamaicano, unindo essa influência à batida marcante do samba-reggae. Desde então, consolidou-se como uma das maiores referências culturais e musicais do país, levando para as ruas uma sonoridade potente, identidade afrocentrada e forte expressão de resistência e celebração da cultura negra.

Ao longo de sua trajetória, o Muzenza construiu uma história vitoriosa e respeitada, conquistando 12 títulos em 13 carnavais disputados. Sua relevância também se reflete nas parcerias com grandes nomes da música brasileira, como Daniela Mercury, Margareth Menezes e Carlinhos Brown, ampliando ainda mais seu alcance e reconhecimento.

Entre as músicas que marcaram sua história e se tornaram verdadeiros hinos estão “Rumpilé (Guerrilheiros da Jamaica)”, “Swing da Cor”, “Brilho e Beleza”, “Dança de Yaô”, “A Terra Tremeu”, “Jah Jah Muzenza”, “Negro Lindo” e “Grito de Liberdade”, canções que ecoam a essência, a luta e a alegria do Muzenza do Reggae.

Atualmente, o bloco é presidido por Jorge Santos e conta, em sua ala de canto, com Nem Tatuagem, Chocolate, Jorge Garcia e Zéo. À frente da bateria, os mestres Ademir Luigina, Paulo Tatá e Dico Styllu Layó comandam um grupo de 70 percussionistas, responsáveis por manter viva a força rítmica que é marca registrada do Muzenza.

Carnaval 2026: “Ginga: a Arte do Negro no Futebol”

Bloco Afro Muzenza do Reggae. foto Gustavo Maia.

Ancestralidade, estética e resistência marcam o desfile do bloco afro no ano da Copa do Mundo. O Bloco Afro Muzenza do Reggae promete levar para as ruas de Salvador um Carnaval potente, ancestral e cheio de significado em 2026. Com o tema “Ginga: a Arte do Negro no Futebol”, o bloco homenageia o protagonismo negro na construção estética, cultural e simbólica do futebol brasileiro, reafirmando o corpo negro como território de criação, movimento e resistência.

Em um ano emblemático, marcado pela realização da Copa do Mundo, quando o futebol volta a ocupar o centro das atenções globais, o Muzenza responde com um olhar ancestral, lembrando que a ginga que encanta os campos nasceu muito antes dos estádios. Ela vem da dança, da capoeira, dos terreiros, das ruas e dos corpos negros que transformaram o jogo em arte, linguagem e identidade.

Mais do que técnica, a ginga é memória e afirmação. É saber de onde se vem, driblar obstáculos históricos e jogar com identidade. No Carnaval 2026, o Muzenza traduz essa filosofia em música, dança, visualidade e narrativa, reafirmando o futebol como espaço de expressão cultural negra e como ferramenta de afirmação política.

Fiel à sua trajetória de rebeldia estética e inovação artística, o bloco transforma a rua em campo e palco, onde o corpo negro segue criando beleza, ressignificando regras e fazendo da alegria um gesto político. A proposta dialoga com o passado e o presente, celebrando a inventividade negra que moldou o futebol como espetáculo, cultura e linguagem popular.

Rainha Muzembela 2026

Muzenbela 2026 – foto Gustavo Maia.

A grande final do Concurso Muzenbela 2026, aconteceu em 30 de janeiro, no Largo Tereza Batista, no Pelourinho. A noite, marcada por ancestralidade, música e celebração da cultura afro-baiana, coroou Rafaela Rosa como a nova Muzenbela, reafirmando o compromisso do bloco com a valorização da mulher negra, da identidade e da estética afro- brasileira. O casal destaque é formado por Siry Brasil e Cláudia Mattos.

A nova Muzenbela, Rafaela Rosa, tem 30 anos, nasceu e foi criada na comunidade da Roça da Sabina, no bairro da Barra. Mãe de Luna Rosa, de 10 anos, Rafaela é capoeirista, pedagoga e musicista do primeiro samba junino feminino, o Gira D’Elas. Já fez parte do projeto NEOJIBA na ala de canto coral, realizou alguns trabalhos com back vocal de Isac Gomes e compõe a ala de dança do bloco A Mulherada.

“A Muzenbela Rafaela Rosa nasceu quando pisei no palco e fui tomada por uma energia surreal, por uma responsabilidade de representar, de ser todas as mulheres negras, de mostrar para o público e para o mundo que somos mulheres negras e que devemos nos orgulhar disso. A emoção que senti e a energia que percorreu o meu corpo me disseram que ali era o meu lugar, que estou no lugar certo e na hora certa”, afirmou.

Rafaela também com receptivos afro e eventos culturais e carrega uma trajetória de participação em concursos de blocos afros como Ilê Aiyê, Malê Debalê e o próprio Muzenza, onde agora assume o título que simboliza representatividade, força e protagonismo.

“Nascer mulher já é uma revolução, é um ato de luta, e o meu desejo de propagar a luta e o legado dos meus ancestrais sempre foi muito grande. Ganhar como Rainha Muzenbela 2026, para mim, é realizar um sonho, é ter a oportunidade de propagar a história e a cultura do povo negro.”, finaliza

Dias e circuitos de desfile

Sábado (14/02) – Circuito Osmar
Concentração: 20h | Saída: 21h

Segunda-feira (16/02) – Circuito Dodô
Concentração: 21h30 | Saída: 22h30

Terça-feira (17/02) – Circuito Osmar
Concentração: 17h30 | Saída: 18h30

 

Com mais de quatro décadas de história, o Muzenza segue como símbolo de resistência e transformação social, fortalecendo a identidade e a ancestralidade do povo negro. Em 2026, o bloco conta com o apoio do Governo do Estado da Bahia e da Prefeitura de Salvador e o patrocínio da CAIXA e do Governo do Brasil. Onde tem patrocínio CAIXA, tem Governo do Brasil.