A tradição de segunda-feira e as Festas de Largo
Publicado em 16.01.2026 às 17h 10 - atualizado em 18.01.2026 às 23h 10
De festa que acontecia como extensão do Bonfim à tradição permanente de Salvador
A culinária baiana é rica em tradições, com dias específicos dedicados a pratos típicos. O cozido de segunda-feira é uma delas, e uma das explicações para esse costume está ligada à Festa da Ribeira, também conhecida como Segunda-Feira Gorda.
A festa está intimamente associada ao ciclo de festividades do Senhor do Bonfim. Historicamente, surgiu como uma extensão da Lavagem do Bonfim, que ocorre em janeiro, na quinta-feira anterior. A celebração na Ribeira ganhou destaque, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, pela presença marcante do samba de roda e pela atmosfera de confraternização.
Mesmo sem uma programação oficial nos dias atuais, a memória dessa comemoração é preservada por aqueles que vivenciaram seu auge, reforçando a importância cultural e social do evento como parte integrante das tradições baianas.
Entenda a origem dessa tradição
De acordo com alguns historiadores, a celebração nasceu da combinação entre a logística e do espírito festeiro dos romeiros. Pessoas de todo o Recôncavo e das cidades ao redor da Baía de Todos os Santos se deslocavam para Salvador para participar da Festa do Bonfim, que se encerrava no domingo: a Lavagem do Bonfim, realizada na segunda quinta-feira de janeiro, e a última missa da novena, celebrada no domingo (em 2026 foi em 18 de janeiro). Muitos permaneciam nos bairros vizinhos e estendiam o fim da festa profana até a segunda-feira.
Nesse dia, armavam barracas e se instalavam nas proximidades. A segunda-feira era então aproveitada para descer da Colina do Bonfim, em direção à Ribeira, transformando o local em um grande ponto de encontro, marcado pela confraternização e pela folia.
Da prévia Carnavalesca à tradição semanal
Com o passar dos anos, a Segunda-Feira Gorda da Ribeira passou a ocupar um novo papel no calendário de verão de Salvador, funcionando como um “esquenta”, um prenúncio do Carnaval. Essa característica de grande festa, com trios elétricos e multidões, marcou o evento, especialmente até os anos 1980.
No entanto, assim como ocorreu com outros festejos populares, a celebração passou por profundas transformações, o que fez com que perdesse parte da relevância e do formato grandioso de quatro décadas atrás. Os trios elétricos desapareceram, e a festa passou a se concentrar principalmente na gastronomia e bebidas.
Apesar dessas mudanças, a Ribeira consolidou uma nova e importante tradição: a “segunda-feira gorda” tornou-se permanente. O que antes era um evento anual, restrito ao período pós-Bonfim, transformou-se em um hábito semanal. Hoje, todas as segundas-feiras, o bairro oferece o tradicional cozido, mantendo viva a essência da celebração e fortalecendo a cultura popular da Cidade Baixa.
Saiba onde comer o tradicional cozido na Ribeira neste link.
A história da Segunda-Feira Gorda da Ribeira reflete o dinamismo de Salvador, uma cidade de festas e tradições que se renovam. Mesmo diante das transformações, o espírito festeiro e a capacidade de celebrar do povo baiano permanecem inabaláveis.
Fontes:
Cozido, feijoada e comida baiana: entenda essa tradição culinária. IBahia 2021 neste link.
Festa da Ribeira está associada ao Ciclo do Bonfim. Jornal A Tarde 2024 neste link.
Comida tem importância central nas celebrações de largo de Salvador. Jornal A Tarde 2024 neste link.
Segunda-feira Gorda da Ribeira, há 31 anos: como a festa perdeu força. Correio 2020 neste link.
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